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terça-feira, 1 de março de 2011

UM MECANISMO DE TRANSFORMAÇÃO

Todos nós, inicialmente, somos matéria prima a ser trabalhada. Porém, a matéria prima não pode evoluir sem os encontros. E existem dois tipos de encontros: o encontro com o artista e, o encontro com o apreciador. O artista é aquele que coloca valor na matéria prima, transformando-a em arte, e, o apreciador, é aquele que reconhece o valor e paga por ela.

Há encontros que são formões necessários para as nossas mudanças; são eles quem determinam as nossas formas; quem causam em nós transformações – esse é o encontro com o artista, com aquele que nos eleva da condição de matéria prima para a condição de obra de arte.

Quem pagaria muito por um tronco de árvore? Quem daria valor a um bloco de rocha?

Uma bela escultura de madeira, antes foi um tronco de árvore. Uma escultura de mármore, antes foi um bloco de rocha. Mas a passagem de um estado para o outro, se deu por meio do atrito, do desbastar, do talhar...

Com esse entendimento, não fuja dos encontros, dos relacionamentos. Uma vida que começa e termina sem transformação, não é vida! Portanto, não deixe que os atritos, os conflitos que surgem nos relacionamentos, sirvam para uma outra coisa que não seja tirar os excessos, as cascas, as arestas... Permita com que eles lhe transforme numa pessoa melhor.

Para surgir uma obra de arte é necessário o encontro e também o atrito – não existe outra forma de surgia a obra de arte e a apreciação.

Edson Carmo

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O MECANISMO DO SOFRIMENTO



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Questionador: Por que há gente contente e gente sofrendo?

Edson Carmo:
Sofrimento é o resultado de desejar ser, aquilo que não se é. É a “dor” do conflito entre o que se gostaria de ser, com aquilo que se é. Há sofrimento quando não se aceita a vida como ela é, e se fixa na idéia de como se gostaria que ela fosse. Há sofrimento também na vontade te ter aquilo que não se tem. Assim, podemos concluir que sofrimento é a idéia de dualidade. NA NÃO-DUALIDADE O SOFRIMENTO NÃO EXISTE.

Questionador:
E como é possível evitar o sofrimento, se a dualidade é uma realidade?

Edson Carmo: Dualidade não é real, ela não existe! Dualidade é uma criação da mente, é uma manifestação da memória! Veja, tudo que está acontecendo, está acontecendo por vez, é um processo continuo. Então, se a noite está aí, não pode ser dia. E se fosse dia, a noite não poderia estar aí! Observe: quando você está saciado, onde está a sede? Aqui está calor, e você está sentindo calor! Onde está o frio? O frescor que você está desejando, nesse momento, ele está apenas na memória – porque um dia você já o sentiu. Mas a memória não é o que está acontecendo como realidade. O que está acontecendo como realidade agora, é o calor. No momento que começar a fazer frio, o calor não estará mais aqui. Você pode perceber? Que não há dualidade no acontecimento?! Quando o frio acontecer aqui, será apenas uma continuação do calor que agora existe, então o calor ficará no passado, e o passado é inexistente.

Questionador: muito obrigado, acho que agora entendi. Sinto que alguma coisa já começou a mudar... hahahahahahahahahahaha

Edson Carmo: A Verdade sempre Liberta, fica na Paz!

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Edson Carmo

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

OS TRÊS ESTÁGIOS DO HOMEM: BÁRBARO, CIVILIZADO E AMOROSO


Moisés trouxe a lei; Jesus a Graça e a Verdade. Assim, Moisés é a lei e Jesus é o Amor. Veja o paralelo: A lei é de fora; o amor é de dentro. A lei é fundamental; o amor é essencial. A lei é funcional; o amor é existencial. A lei é para a multidão; o amor para o coração. A lei é a imposição do que deve ser; o amor é a manifestação do ser – sim, a lei é amor imposto, mas o amor é lei espontânea. A lei é para o relacionamento com os outros; o amor é o relacionamento consigo mesmo – daí Jesus dizer: “ama o próximo como a ti mesmo”. A lei é um desempenho externo; o amor um desempenho interno. Portanto, há diferença entre a lei e o amor!




Por que Moisés veio antes de Jesus? Por que a lei veio antes do Amor? Qual o sentido desta ordem?



A primeira coisa que se deve entender, é que o homem nos tempos de Moisés era bárbaro – e bárbaros não podem amar. O homem nos tempos de Moisés era um perfeito animal – e o amor não pode brotar na selva, entre os animais selvagens. Então a lei foi dada para que o homem pudesse distinguir o que é bom e o que é mau.



Nos tempos de Moisés, o homem matava livremente, foi por isso que a lei levantou-se dizendo: “não matarás.” O que isso significa? Isso significa que uma consciência estava sendo dada – a consciência de que tal atitude era errada, feia.



O homem era feio; sua face era mau; seu comportamento era violento... Então o homem pegou a lei, e fez dela sua mascara, sua indumentária, seu gesto, sua atitude, seu comportamento... Mas será que uma roupa pode mudar a essência de uma pessoa? Será que uma máscara pode desfazer a feiúra de um rosto? Mascaras escondem rostos, mas não pode destruí-los. Mas há uma coisa que a mascara pode dizer: ela pode dizer que existe uma beleza a ser alcançada e possuída. Isso é tudo que a lei pode fazer: dá a consciência de que há um estágio, uma dimensão superior a ser alcançada e possuída.



Lembre-se: A lei civiliza; o Amor espiritualiza. O homem não pode espiritualizar-se na forma de animal: primeiro ele tem que ser civilizado, só depois ele pode ser espiritualizado.



Então veio Jesus, com seu Amor, com a sua Graça... Ele não é amor imposto, e sim, amor espontâneo. Aprendamos com Jesus, porque disse Ele: “Eu Sou o Caminho...” Uma vez que a face for transformada, então não haverá nenhuma necessidade de usar máscaras.



O amor é superior a lei.



Edson Carmo


sábado, 27 de novembro de 2010

DOIS MECANISMOS DE ESCOLHA


Gostar e desgostar são obras da mente – e a mente mente! Portanto, temos que aprender a escolher com a consciência. A menos disso, nossas escolha nos trarão sempre decepções.

Estar consciente é estar no espaço entre o prazer e o desprezer. Lembre-se: todos os prazeres e desprazeres são excitações, é por isso que a mesma experiência pode si tornar sofrimento ou gozo – isso depende do gostar ou do desgostar de cada um.

Alguém escolhe a comida por causa do gosto. E, outro alguém escolhe a comida porque faz bem. Podemos escolher uma comida por causa do gosto, mas isso não quer dizer que ela faça bem. O gosto é um condicionamento da mente, mas o saber que faz bem é obra da consciência.

Assim, devemos abandonar as excitações e permanecer no silêncio, no vazio, no espaço, no meio que existe entre elas. No começo será muito sem sabor, mas aos poucos o sabor fluirá.

Edson Carmo

domingo, 24 de outubro de 2010

O MECANISMO DA TENSÃO


O corpo do homem moderno cada dia mais tem dificuldade de relaxar. Porque o corpo do homem moderno não está funcionando como deveria, com a sua própria sabedoria.

O corpo tem sua sabedoria particular, mas está impedido de usar – por isso há tensão. A mente está cheia de tensão, porque está sempre sobrecarregada, sempre explorada...

Tensão é confusão! Só há tensão por causa da confusão. A cultura, o conhecimento tem feito com que o corpo esteja em confusão, ela tem feito com que o corpo utilize seus membros de forma errada, inadequada. E isso trás toda a tensão, toda a confusão.

Um exemplo:

As pessoas vivem pensando em sexo. Por ventura o sexo é de competência do pensamento? Não, sexo é de responsabilidade do sentimento! Ora, a mente não existe para isso, ela não foi feita para isso. A mente não foi feita para sentir, ela foi feita para pensar. O sexo tem o seu próprio aparelho, o seu próprio centro. Mas o sexo a muito deixou de ser genital para ser uma atividade mental. Daí toda a prostituição, toda a perversão, toda a confusão...

Olhe para o homem moderno: Ele está sentindo quando tem de pensar e, está pensando quando tem de sentir. O centro do sentimento está funcionando no lugar do centro do pensamento e, o centro do pensamento está funcionando no lugar do centro do sentimento. Quanta tensão, quanta confusão...

Cada aparelho do corpo deveria fazer o seu próprio trabalho, cada um deveria gastar a sua energia. Porém, uns estão fazendo muito trabalho com pouca energia, e outros fazendo pouco trabalho com muita energia. Por isso o cansaço, por isso a tensão, por isso a confusão. Um está tenso por ter sido deixado sem nada para fazer, e o outro está tenso por ter sido deixado com muita coisa para fazer. Essa é maior causa dos problemas de visão, audição; problemas nas articulações...

Não crie tensão, deixe com que cada órgão cumpra a sua própria obrigação.

Edson Carmo